LABACE 2026 reúne 55 aeronaves no Brasil, segundo maior mercado mundial de jatos executivos 

Com 133 marcas em São Paulo, feira conecta fabricantes globais a uma frota nacional de 1.189 jatos e busca superar os US$ 150 milhões movimentados em 2025. 

Durante três dias, o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, deixou de ser apenas um aeroporto dedicado à aviação geral para se transformar em uma vitrine de um dos maiores mercados mundiais de aeronaves privadas. 

Realizada entre 4 e 6 de agosto, a 21ª edição da LABACE — Latin American Business Aviation Conference & Exhibition reuniu 133 marcas e 55 aeronaves, conectando fabricantes, operadores, empresas de manutenção, seguradoras, fornecedores, proprietários e potenciais compradores. A própria organização define o evento como a maior feira de aviação de negócios da América Latina. Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx  

Entretanto, entender a importância econômica da LABACE exige olhar para muito além das 55 aeronaves estacionadas no Campo de Marte. 

A principal razão pela qual fabricantes dos Estados Unidos, Canadá e Europa disputam espaço em São Paulo é simples: o Brasil possui uma das maiores concentrações de aeronaves executivas do planeta


O Brasil realmente é o segundo maior mercado do mundo? 

Sim, quando a comparação é feita especificamente sobre a frota de jatos executivos

Uma análise da Airbus Corporate Jets, baseada em dados da JETNET referentes a fevereiro de 2025, contabilizou 24.442 business jets em todo o mundo. O levantamento permite fazer uma comparação internacional utilizando a mesma metodologia e a mesma data-base.  

Posição País Jatos executivos Participação aproximada 
1º Estados Unidos 15.492 63,4% 
2º Brasil 1.103 4,5% 
3º México 1.030 4,2% 

A posição brasileira é relevante, mas o ranking também revela a enorme diferença para os Estados Unidos. 

A frota norte-americana era 14.389 jatos maior que a brasileira, ou aproximadamente 14 vezes o tamanho da frota do Brasil

A disputa entre Brasil e México, por outro lado, era bastante mais próxima. Apenas 73 jatos separavam segundo e terceiro lugares, uma vantagem de cerca de 7% para o Brasil. 

Esse detalhe é importante: o Brasil é uma potência mundial na aviação de negócios, mas o mercado norte-americano continua operando em uma escala incomparavelmente maior. 


Brasil já chegou a 1.189 jatos em 2026 

O ranking internacional acima utiliza fevereiro de 2025 para que todos os países sejam comparados na mesma fotografia estatística. 

Dados mais recentes da ABAG, entretanto, mostram que a frota brasileira continuou avançando. 

Em 2026, o país passou a contabilizar 1.189 jatos executivos dentro de uma frota de 11.375 aeronaves de negócios. O número de jatos cresceu 14,8% em 12 meses; os turbo-hélices avançaram 8,7%.  

Em dezembro de 2024, segundo a associação, havia 980 jatos no país. 

Não é adequado simplesmente substituir os 1.103 jatos do ranking internacional por 1.189 e recalcular a classificação mundial, porque as bases possuem datas e metodologias diferentes. Mas o dado demonstra claramente a velocidade de expansão do mercado brasileiro. 

Segundo a ABAG, a frota vem recebendo aproximadamente 600 aeronaves por ano, considerando diferentes categorias.  


O Brasil não está apenas comprando mais: está voando mais 

Outro dado ajuda a compreender por que a LABACE atrai empresas de manutenção, combustível, seguros e infraestrutura, além dos fabricantes. 

A aviação de negócios brasileira registrou aproximadamente 94,8 mil pousos e decolagens até abril de 2026, contra 84,5 mil no período comparável anterior — crescimento de 12,18%.  

Uma aeronave não produz receita econômica apenas quando é comprada. 

Depois da entrega, ela passa a demandar combustível, manutenção programada, motores, peças, aviônicos, seguro, treinamento, pilotos, hangaragem, limpeza, conectividade, gestão e infraestrutura aeroportuária. 

É por isso que uma feira aeronáutica não pode ser avaliada somente pelo número de contratos assinados para compra de novos aviões. 


Por que o Brasil sustenta uma frota tão grande? 

Aeroporto privado em Trancoso, Bahia, Brasil – Foto: Reprodução do Instagram/@aeroportoterravista

A geografia explica uma parte. 

O país possui dimensões continentais, grandes distâncias entre centros produtivos e regiões onde a aviação comercial regular oferece conectividade limitada. 

Mas há também uma questão econômica. 

Agronegócio, mineração, óleo e gás, grupos industriais, mercado financeiro, family offices e empresários utilizam aeronaves como ferramentas de mobilidade e produtividade. 

Pesquisa encomendada pela Airbus Corporate Jets com executivos e gestores de patrimônio na América Latina mostrou que a aviação de negócios responde por uma parcela elevada das viagens de determinados grupos corporativos; entre family offices consultados, a participação chegou a 74%.  

Em outras palavras, para parte dessa clientela, um jato não é simplesmente um objeto de luxo. Ele pode funcionar como infraestrutura privada de deslocamento. 


A idade da frota cria outra oportunidade bilionária 

Aeroporto privado Bom Futuro em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil – Foto: Aeroporto Bom Futuro

Existe ainda uma variável fundamental para fabricantes presentes na LABACE: a idade das aeronaves

Os jatos executivos da América Latina e Caribe possuem idade média de aproximadamente 24,5 anos, contra 18,1 anos na média mundial.  

Isso significa que uma parcela relevante da frota regional deverá, em algum momento, passar por modernização ou substituição. 

Para Bombardier, Textron, Honda Aircraft, Pilatus, Cirrus e outras fabricantes, o mercado não depende apenas de novos clientes. Há também milhares de atuais proprietários que precisarão decidir entre atualizar aviônicos e cabine de suas aeronaves ou migrar para modelos mais novos, eficientes e de maior alcance. 

É nesse processo de renovação que eventos como a LABACE ganham importância estratégica. 


São Paulo: capital mundial dos helicópteros 

O local onde a LABACE ocorre também ajuda a explicar o tamanho da feira.

Airbus H145 no LABACE 2026 – Foto: Reprodução do Instagram/@loucosporavioesbr

São Paulo possuía 411 helicópteros registrados, segundo dados da ANAC citados em levantamento publicado em 2025, sendo apontada como a cidade com a maior frota de helicópteros do mundo.  

O tamanho da operação é suficientemente grande para que a cidade possua um sistema de controle especializado. 

HELICONTROL, operado pelo DECEA, foi criado para organizar o intenso fluxo de helicópteros na região de São Paulo e é descrito pelo departamento como uma estrutura única no mundo. Em 2025, o sistema registrou 39.581 atendimentos, crescimento de aproximadamente 31% em relação ao ano anterior.  

Comparações históricas colocam cidades como Nova York e Tóquio atrás de São Paulo em frota de helicópteros, mas não foi localizada uma base internacional sincronizada de 2026 que permita publicar números atuais para todas elas com o mesmo critério. 

Portanto, o dado mais seguro é: São Paulo possui 411 helicópteros registrados e é apontada como líder mundial nessa modalidade


O que havia dentro da LABACE 2026 

A exposição estática de 2026 reuniu 55 aeronaves, contra 54 em 2025.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

Entre os modelos apresentados estavam Bombardier Challenger 3500, Cessna Citation Latitude, Pilatus PC-12 PRO, HondaJet Elite II, Cirrus Vision Jet G3, Cirrus SR22T G7+, Diamond DA50, aeronaves Daher TBM, Beechcraft King Air, Airbus ACH145, helicópteros Bell e Hawker 400XP.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

A TAM Aviação Executiva apareceu como a maior expositora individual, com oito aeronaves. 

A exposição cobre praticamente toda a escada patrimonial da aviação privada: de aviões leves avaliados em centenas de milhares de dólares a jatos que podem ultrapassar US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões por unidade

O Challenger 3500, por exemplo, tem preço de referência próximo de US$ 29,5 milhões na apuração utilizada pela LuxeGarbo para a cobertura do evento.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 


Quanto valiam as 55 aeronaves estacionadas no evento? 

Essa seria uma das métricas mais interessantes da LABACE, mas existe uma limitação.

DA50-C no LABACE 2026 – Foto: Reprodução do Instagram/@loucosporavioesbr

Não foi divulgado um valor agregado oficial da exposição estática, e uma estimativa rigorosa exigiria conhecer modelo, ano, configuração, equipamentos e condição comercial de cada uma das 55 aeronaves. 

Por isso, não seria jornalisticamente correto somar preços genéricos e apresentar o resultado como patrimônio confirmado. 

É possível afirmar, entretanto, que a exposição reuniu centenas de milhões de dólares em ativos aeronáuticos. Basta observar que alguns dos jatos presentes possuem preço unitário de dezenas de milhões de dólares, enquanto turbo-hélices e helicópteros executivos frequentemente custam vários milhões. 

O valor físico estacionado no Campo de Marte, portanto, provavelmente supera em muito o volume de transações efetivamente fechado durante os três dias. 


Quanto a LABACE movimenta? 

Em 2025, a LABACE registrou aproximadamente US$ 150 milhões em negócios fechados durante os três dias, incluindo venda de aeronaves, peças e equipamentos.  

Para 2026, a ABAG entrou no evento com a expectativa de superar esse resultado. 

Até a apuração desta reportagem, realizada em 8 de agosto de 2026, porém, não havia sido localizado um balanço oficial consolidado informando quanto a 21ª edição efetivamente movimentou. 

Portanto, a maneira correta de escrever neste momento é: 

LABACE 2025: aproximadamente US$ 150 milhões em negócios. 

LABACE 2026: expectativa de superar US$ 150 milhões; resultado final ainda aguardado. 

Essa diferença é fundamental para não transformar uma projeção em fato consumado. 

US$ 150 milhões é apenas a primeira camada 

O número oficial tampouco representa necessariamente todo o impacto comercial produzido pela feira. 

Uma negociação de um jato pode começar durante uma reunião no Campo de Marte e exigir semanas ou meses para definir financiamento, configuração de cabine, treinamento, documentação, importação e entrega. 

Por isso, existe uma diferença entre: 

negócios efetivamente fechados dentro do período da LABACE e pipeline comercial originado durante o evento

O segundo número poderia ser significativamente maior, mas a ABAG ainda não divulgou publicamente uma estimativa consolidada para 2026. 

E o impacto econômico continua depois da compra. 

Um jato vendido na LABACE pode gerar receitas durante 10, 15 ou 20 anos para oficinas, fornecedores de motores, seguradoras, empresas de combustível, hangares, treinamento e operadores. 


A LABACE é brasileira ou internacional? 

A resposta mais precisa é: internacional na oferta e fortemente brasileira na demanda

A edição de 2026 contou com empresas ligadas a mercados como Estados Unidos, Canadá, França, Suíça, Áustria, Alemanha, Itália, República Tcheca e Eslováquia.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

A própria organização apresenta a LABACE como ponto de encontro de fabricantes, operadores e clientes de toda a América Latina.  

Não existe, entretanto, um número oficial consolidado de países representados ou uma divisão pública entre compradores brasileiros e estrangeiros. 

Isso impede afirmar que determinado percentual da clientela veio de fora do Brasil. 

A lógica comercial, porém, é clara: empresas internacionais usam São Paulo como porta de entrada para um mercado brasileiro extremamente grande e, simultaneamente, para potenciais compradores de outras economias latino-americanas. 


133 marcas não significam 133 fabricantes 

Outro ponto que merece precisão é a composição dos expositores. 

A LABACE não reúne apenas fabricantes de aeronaves. 

As 133 marcas incluem MROs, FBOs, empresas de táxi-aéreo, seguradoras, corretoras, empresas de combustível, conectividade, peças, aviônicos, financiamento, gestão de aeronaves e infraestrutura.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

Esse ecossistema ajuda a explicar por que o valor econômico da feira não pode ser medido apenas pela quantidade de jatos vendidos. 

A própria LABACE descreve sua base de expositores como uma cadeia que inclui fabricantes, FBOs, MROs, operadores, tradings, fornecedores, seguradoras e empresas de logística.  


Uma feira menor em marcas, mas maior em aeronaves 

Imagens aéreas do LABACE 2026 – Foto: Reprodução/Redes sociais

A comparação com 2025 revela um movimento interessante. 

Na edição anterior, a LABACE recebeu mais de 14 mil visitantes, 54 aeronaves e mais de 150 marcas.  

Em 2026, a apuração da LuxeGarbo registrou 133 marcas e 55 aeronaves.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

Portanto, o evento ficou menor em quantidade de marcas, mas ligeiramente maior em aeronaves expostas. 

A edição também registrou ausências importantes, especialmente Embraer e Dassault Aviation, embora mantenha forte presença de outros fabricantes internacionais.  

Cópia de 05-08 LABACE 2026 reúne 133 marcas^J 55 aeronaves e uma clientela internacional em São Paulo.docx 

Essa redução merece ser acompanhada nas próximas edições para entender se representa uma variação pontual ou uma mudança na estratégia das fabricantes. 

O que isso significa 

A LABACE não é importante simplesmente porque consegue estacionar 55 aeronaves em São Paulo. 

Ela é importante porque ocorre no ponto de encontro entre três fatores raros: uma das maiores frotas privadas do planeta, uma cidade com excepcional concentração de helicópteros e uma base de compradores capaz de sustentar contratos de dezenas de milhões de dólares

As aeronaves formam a vitrine. O verdadeiro mercado está na cadeia construída ao redor delas. 


Análise LuxeGarbo 

A melhor maneira de compreender a LABACE é inverter a lógica tradicional. 

Fabricantes estrangeiras não vêm ao Brasil apenas porque existe uma feira. A feira existe nessa dimensão porque existe um mercado brasileiro capaz de justificá-la. 

O Brasil estar em segundo lugar mundial pode transmitir inicialmente a ideia de proximidade com os Estados Unidos, mas os números mostram outra realidade. O mercado norte-americano permanece aproximadamente 14 vezes maior em frota de jatos. O verdadeiro ponto de comparação brasileiro está mais próximo do México, que ocupa a terceira posição. 

Isso não reduz a importância do país. Pelo contrário: significa que, fora dos Estados Unidos, poucos mercados concentram tantos jatos, helicópteros, operadores e indivíduos de alto patrimônio em uma única economia. 

Outro elemento estratégico é a idade da frota latino-americana. Uma média de 24,5 anos indica que bilhões de dólares em decisões de substituição e modernização deverão ocorrer ao longo dos próximos anos. A LABACE disputa exatamente o momento em que esses proprietários decidem onde colocar esse capital. 

O número de US$ 150 milhões movimentado em 2025 também deve ser interpretado como apenas a face imediatamente mensurável da feira. Um contrato assinado ali pode sustentar receitas de manutenção, seguros, combustível, tripulação e infraestrutura por décadas. 

Por isso, o dado mais importante da LABACE talvez não seja quantas aeronaves foram expostas ou quantos visitantes atravessaram seus portões. 

É quanto patrimônio, capacidade de compra e decisão empresarial consegue ser concentrado durante três dias dentro do Campo de Marte. 

E enquanto o Brasil mantiver uma das maiores frotas executivas do planeta e São Paulo continuar funcionando como um dos centros mais intensos da aviação privada mundial, essa combinação deverá continuar atraindo fabricantes globais para a América Latina.

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